domingo, 24 de março de 2013

Evangelismo Bíblico


RESUMO: TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA, LIMA BARRETO


PRIMEIRA PARTE

CAPITULO 01 – A LIÇÃO DE VIOLÃO
Todos os dias, a mais de trinta anos o major Policarpo Quaresma com a pontualidade de um astro celeste chegava-se em casa as quatro e quinze, ele era subsecretário do arsenal de guerra, sua rotina já era de todos conhecida que na casa do capitão Cláudio sua passagem fazia menção a hora do jantar que se achegava. Morava em casa própria e ia bem de condição, amante dos livros que não mostrava a ninguém, mas que, tornavam-se visíveis ao abrir das janelas. Ele era um patriota enérgico e conhecedor de toda fauna, flora, geografia, hidrografia e das riquezas diversas do seu venerado Brasil. Major Quaresma como era conhecido era um homem pequeno, magro e que usava pince nez. Sempre vestia-se de fraque, preto, azul, ou de cinza, de pano listrado, mas sempre de fraque e quase sempre com sua cartola. Ele morava com sua irmã Adelaide e poucas pessoas o visitavam com frequência com exceção de seu compadre e sua afilhada, mas, uma visita chamou a atenção dos moradores, três vezes por semana Ricardo coração dos outros um afamado cantor e compositor de modinhas ia a casa do Major lhe ensinar a tocar violão, e em uma dessas visitas Ismênia, a pedido de seu pai o general Albernaz, o convidou para ir tocar suas modinhas em sua residência. E para lá foram.

CAPITULO 02 – REFORMAS RADICAIS
O major quaresma empolgou-se com a ideia de mais alguém se interessar pelas festas e folclore legitimamente nacionais e ficou ainda mais feliz quando o general sugeriu que se fizesse uma festança à moda do norte para comemorar o aniversário de sua praça. Percebendo que desconheciam as músicas e cantigas os dois foram a procura da tia Maria Rita, uma preta velha que morava em Benfica, antiga lavadeira da família Albernaz. Ao chegar na casa dela o general lhe pediu que ensinasse a eles umas cantigas, mas, para a tristeza deles ela já não se lembrava de nenhuma cantiga, a não ser a infantil Bicho Tutu, o que desanimou Quaresma ao perceber a rapidez com que morriam as canções e tradições. Após alguns dias Cavalcanti o noivo de Ismênia informou que ali por perto morava um teimoso cultivador dos contos e canções populares do Brasil. O velho lhes ensinou o Tangolomango e Quaresma ao apresenta-lo na festa lá pela quinta estrofe lhe faltou o ar, escureceu a vista e ele caiu. Isso não lhe diminuiu a admiração pelo folclore e ele continuou a pesquisar os costumes. O que decepcionou o Major foi descobrir que todas essas cantigas e costumes eram importados de outros países e então ele pôs-se a estudar os costumes dos Tupinambás em busca de algo que fosse realmente nacional. De tanto estudar a cultura e os costumes tupinambás certo dia abriu a porta e ao invés de um aperto de mão Quaresma se pôs a chorar, num legitimo cerimonial goitacás. Seu compadre Vicente e sua afilhada Olga entreolharam-se como se perguntassem um ao outro: será que ele está louco? Vicente não era seu parente, mas, tinha com Policarpo uma grande dívida por tê-lo socorrido em momento de miséria e mesmo depois dele ter prosperado e tornando-se um empreiteiro rico, mantinha com o major uma relação de grande afeição.

CAPITULO 03 – A NOTÍCIA DO GENELÍCIO
O tão esperado casamento de Ismênia e Cavalcanti estava a se desenrolar já que finalmente Cavalcanti se formara. A pessoa que parecia menos contente com isso era a própria Ismênia que no dia da festa de noivado esta apática em contraste com a alegria de suas irmãs, o casamento foi sempre muito enfatizado pela mãe como uma meta, um objetivo sem o qual a vida praticamente não teria sentido, tudo em sua vida convergia pro tão esperado casamento. Muitas pessoas foram a sua festa e as moças lhe rodeavam e conversavam sobre enxovais, casas para alugar e coisas para comprar mas, Ismênia pouco se animava. Os homens cercavam Cavalcanti e o elogiavam. Após a insistência de dona Maricota o contrariado General Albernaz deu início ao baile e em seguida se puseram a jogar solo juntamente com Florêncio, Sigismundo e Caldas. Quando se ouviu a chegada de Genelício, o namorado de D. Quinota filha do general, que trouxe a notícia da loucura de Quaresma e que já estava na casa de Saúde. O motivo foi ter enviado um requerimento em Tupi ao ministro. E os homens consideravam sobre o fato e argumentavam que isso era culpa dos muitos livros do major e concordaram que os livros eram para os formados.

CAPITULO 04 – DESASTROSAS CONSEQUENCIAS DE UM REQUERIMENTO
Antes da festa de noivado de Ismênia o major quaresma em uma tentativa patriótica de demonstrar a cultura e a força do povo brasileiro escreve um requerimento solicitando a substituição da língua oficial, português, pela língua nativa Tupi Guarani lembrando em seu requerimento que a língua é a mais alta manifestação de inteligência de um povo, e que por isso o brasil deveria abrir mão da língua emprestada pelo seu colonizador. O requerimento foi motivo de troça e de zombarias por todo lugar e em todos os jornais. Trazendo o pacato major Quaresma a evidência e provocando assim a inveja de seus colegas de trabalho. Quaresma, a tanto tempo uma pessoa reservada, não estava acostumado em ser o centro das atenções e por onde quer que ele fosse alguém lhe tirava um gracejo o que já estava a importunar lhe as ideias. Esses acontecimentos chegaram também a Vicente seu compadre que não entendeu bem ao ler no jornal e pediu que Olga lhe explicasse. Vicente chegou a crer na loucura de seu compadre, Olga porém admirou a sua coragem e ousadia e tentou convencer o pai que era apenas um ideal, meio absurdo, mas, ainda sim fazia algum sentido. Vicente sabia que aquilo ia trazer problemas a Quaresma, tanto que alguns já o davam por louco mas, isso não o desmotivou, pelo contrário, ele estava cada vez mais decidido em restaurar as raízes da pátria que de tanto estudar a língua indígena acidentalmente em uma falta de atenção redigiu um oficio em Tupi e o enviou ao ministério, o ministro devolveu o oficio e censurou o ministério. Quando o coronel soube ter sido ele quem escreveu o oficio nem deixou o major se explicar e por um mal entendido se enfureceu e o suspendeu até segunda ordem. Quaresma ficou desolado, nunca passou em sua mente desrespeitar o coronel, ele sem demora de atirou dali pra fora.

CAPITULO 05 – O BIBELOT
Já a alguns meses no manicômio Quaresma recebe a visita de Olga e seu Compadre Vicente Coleoni, a afilhada observava os vários detalhes do lugar macabro e entendeu que não era somente a morte que igualava os homens, mas, também a loucura, o crime e a moléstia. E ponderava também sobre a a diversidade da vida e de como ela era mais rica em aspectos tristes do que alegres, e como, na variedade da vida, a tristeza pode mais variar que a alegria e como que dá o próprio movimento da vida. Após verificar isso quase sentiu satisfação pela descoberta feita por seu espírito. Quaresma já estava melhor, e seus delírios quase não existiam mais, ao avistar os visitantes deu-lhes um sorriso e os cumprimentou. Após uma breve conversa Coleoni, que já vinha observando a sua melhora nas constantes visitas que fazia, perguntou ao compadre se ele não queria sair do manicômio, ele se demorou a responder, mas, achava que ainda não era a hora. Agradeceu a paciência deles e a amizade que eles tinham para com ele, já estava prestes a romper em lágrimas, quando Olga lhe interrompeu com a notícia de seu casamento, após um breve diálogo eles o deixaram e tomaram o bonde de volta à cidade. Foram até a casa do major onde estavam D. Adelaide e Ricardo e conversaram sobre o estado de saúde de Quaresma e logo souberam também do casamento de Olga, que tentando se sair dos muitos questionamentos sobre si, perguntou pelo general Albernaz, D. Adelaide não o via já a algum tempo mas, a pobre Ismênia ia lhe visitar diariamente. Pobre Ismênia abandonada pelo noivo já alguns meses que viajou e nunca lhe enviou uma correspondência, já estava desgostosa pela vida como se tivesse falhado na única coisa realmente importante na vida, o casamento. E o casamento de sua irmã mais nova que já estava encaminhado e as alegrias do carnaval intensificavam ainda mais seu sofrimento. Pouco depois de D. Adelaide contar o caso de Ismênia ela chega, pergunta pela saúde do major. Quando D. Adelaide lhe pergunta se já recebeu alguma carta de Cavalcanti, Ricardo move-se na cadeira derrubando uma pequena peça de biscuit.

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 01 – NO SOSSEGO
 Após sair do manicômio quaresma estava ainda com a tristeza do que havia lá vivenciado impregnada em si, e para levantar seu ânimo que se mudou para uma casa de campo, não por sua ideia, mas, por sugestão de Olga sua afilhada. Ficava a alguns quilômetros do Rio de Janeiro e lá ele podia plantar e tirar da terra de sua amada pátria o seu sustento. Isso já lhe era um sonho antigo e o deixou muito empolgado, deu o nome de sossego ao lugar, um nome que caia tão bem a sua nova vida. Lá pôs se ao trabalho juntamente com Anastácio seu ajudante, que não compreendia a necessidade de tantos livros para se plantar. Ele humildemente ensinou o major a carpir, e o major tomou gosto pela vida simples do campo. Até que um dia recebeu a visita de um desconhecido, era o tenente Antonino Dutra, que veio lhe contar as novas da política, mas, o major não fez caso. Foi advertido sobre as dificuldades que ia enfrentar mas, fez pouco do tenente. E eles despediu-se e se foi. O major foi receber Ricardo na estação de trem.

CAPITULO 02 – ESPINHOS E FLORES
Ricardo Coração dos Outros morava numa casa de cômodos no subúrbio do Rio de Janeiro, no seu quarto tinha poucos móveis e passava o dia a escrever modinhas, numa bela manha ele sentiu falta de seu amigo e admirador Quaresma, ele sim dava valor a sua música e talento. Fez algumas contas mas, eram muito caras as passagens, ainda pensava um jeito de ir visitar o amigo quando bateram à porta, era uma carta do general Albernaz o convidando para o casamento de sua filha Quinota. Isso muito alegrou Ricardo. Na festa estavam os mesmos importantes convidados com as mesmas conversas de guerras e de feitos heroicos que eles não participaram, e gabavam-se e festejavam e falavam sobre a profissão do novo genro de Albernaz, logo após a filha de Lemos cantar ele preparou seu violão e encantou a todos. E aproveitou a ocasião para pedir a passagem ao general.

CAPITULO 03 – GOLIAS
Na semana seguinte do casamento de Quinota foi a vez de Olga se casar, em uma cerimônia simples, após se casar foram morar na casa de seu pai, Quaresma não foi ao casamento mas enviou um leitão e um peru do sítio da tradição e escreveu uma longa carta se justificando, ele estava por demais animado com seu progresso e não queria deixar o Sossego nem por breve tempo. Ricardo passou um mês com o major e sua fama o precedia ele conheceu a vila onde fez amizade com políticos. E concordou com Quaresma, que a vida é bem melhor no campo e pode se subir. Ainda perguntou a quaresma se ele conhecia o Dr. Campos e se podia apresentar-lhe. Quaresma assentiu, e foi ao campo trabalhar, agora também com a ajuda de Felizardo. Após o jantar saiu a passear pelo sitio com Ricardo quando foram surpreendidos por Olga que foi passar uns dias com o marido no sítio de seu padrinho. O Dr. Armando Borges mesmo muito presunçoso por seu título foi se habituando ao lugar e teve boas conversas com o major. Uma manhã ao ler o jornal, Quaresma se depara com uma notícia a seu respeito, uma dura crítica e uma acusação sem precedentes. Ele ficou inconformado por não entender o porquê daquilo, mesmo assim conteve a sua preocupação. Olga e seu marido passaram 15 dias no sítio, não havia muito pra conhecer, o que mais a impressionou foi a miséria do povo em meio a tantas terras improdutivas. Seu marido ainda pegou-se a discutir com Quaresma sobre o uso de adubos, o que o afrontou. A noite enquanto ele lia sobre a riqueza da terra ao ouvir estalos na despensa foi surpreendido por um batalhão de saúvas que levavam seus mantimentos.

CAPITULO 04 – PEÇO ENERGIA, SIGO JÁ!
Dona Adelaide era apenas quatro anos mais velha que seu irmão, era uma bela senhora sem ambições, já era chegada aos 50 anos mas, ambos aparentavam um ar saudável. E prometiam ainda muita vida. Ela nunca se prendeu a paixões e tudo que precisava para viver era uma casa, almoço, jantar e vestuário. Embora não distante de seu irmão ela nunca o compreendeu inteiramente. Quaresma agora tinha a necessidade de provar que a solução da pátria estava nas terras produtivas e se empenhava nos cálculos para contabilizar lucros e vencer essa batalha oculta. Após ver seus abacateiros dar frutos, e vender sua primeira produção, mesmo não lucrando muito comemorou e se empenhou ainda mais, agora com ajuda de mais um funcionário Mané Candeeiro. Mesmo com as formigas como obstáculo, quaresma lucrou um pouco mais na segunda produção e começou a investir em maquinário. Certo dia o Dr. Campos, presidente da câmara, o visitou e o persuadiu a cooperar com ele em uma articulação política ilícita mas, Quaresma homem honrado, prontamente recusou. Dr. Campos o deixou calmamente mas, em alguns dias ele recebeu uma intimação que o obrigava a limpar as estradas de suas terras assinada pelo Dr. Campos. E pouco depois recebeu outro papel oficial lhe cobrando por transportar sua produção sem pagar os devidos impostos. Quaresma ficou muito inconformado, multa por enviar batatas ao mercado? Ele meditava sobre um governo mais forte, medidas agrárias e etc. Quando ao abrir o jornal deparou-se com a notícia que os navios insurgiram e exigiam a deposição do presidente. Ele foi ao telégrafo e enviou a mensagem: “Marechal Floriano, Rio. Peço Energia. Sigo já – Quaresma.”

CAPITULO 05 – O TROVADOR
A cidade estava com ares diferentes, homens fardados nas ruas e os civis desconfiados, não ousavam se expressar publicamente pois temiam a repressão. O general Albernaz e o Almirante Caldas andavam pelo quartel a discutir sobre a revolta e ao passarem pela estação o general vê uma única moça entre tantos homens o que lhe faz lembrar de sua filha Ismênia e isso o entristeceu, por não haver encontrado meio de curá-la. Saindo da estação Caldas se dirige ao arsenal e Albernaz juntamente com Bustamante vai até o quartel ao encontro do tenente Fontes, homem bom, embora positivista e era noivo de Lálá filha do general Albernaz. Todos eles criam na prosperidade do governo de Floriano Peixoto. Já o Dr. Armando via na revolta uma possibilidade de crescer, ele era homem muito ambicioso embora já tivesse a fortuna de sua esposa. Isso fez com que Olga perdesse um pouco de sua admiração pelo marido. Seu pai não toma partido e também não concorda com o envolvimento de Quaresma com a revolta. Alheio a tudo isso está Ricardo Coração dos Outros em sua casa de cômodos no subúrbio a compor modinhas.
TERCEIRA PARTE

CAPITULO 01 – PATRIOTAS
Já estava a esperar a mais de uma hora no palácio, tendo o marechal a vista mas, não podendo lhe falar. Ele demorou um pouco a vir a cidade porque tinha de organizar as coisas no sitio e arrumar companhia pra sua irmã D. Adelaide que fez oposição a sua viagem, e a luta considerando a sua idade. Mas, Quaresma via-se indispensável e até redigiu um memorial com medidas para o levantamento da agricultura, e iria entregar ao marechal. Quando teve sua oportunidade de se chegar ao marechal para oferecer seus humildes préstimos aproveitou para lhe entregar o seu memorial, o marechal fez pouco caso do documento que até lhe rasgou um pedaço para escrever um bilhete que entregou a Bustamante e ainda lhe ofereceu Quaresma para o seu batalhão. Eles conversaram sobre a cota a ser paga e o Major que tinha esse título apenas de nome, agora se tornou major do batalhão cruzeiro do sul. Ao se encontrar com o general Albernaz conversaram sobre o estado de sua filha Ismênia que agora delirava, numa loucura sem solução. Após passar na casa de seu compadre de dirigiu ao batalhão onde presenciou o recrutamento forçado de Ricardo Coração dos Outros.

CAPITULO 02 – VOCÊ QUARESMA, É UM VISIONÁRIO
A vida no quartel era monótona Quaresma dedicava-se agora ao estudo de artilharia. Tinha o respeito de muitos dos homens inclusive de Ricardo que até lhe pediu permissão para exercitar seu violão e canto nos horários livres fora do quartel. O tenente Fontes tinha o habito de vistoriar tudo pelo quartel, quando ouviu a cantoria de Ricardo o repreendeu duramente ele e o próprio Policarpo que já nem se lembrava de ter consentido com aquilo. Os tiroteios aconteciam de vez em quando e eram a alegria da população, a guerra tinha se tornado banal. Um dia saiu a passear e visitou o general Albernaz, lá jantou com eles, discutiram sobre a guerra, ele observou Ismênia e depois tornou ao batalhão, já era de madrugada quando o Marechal foi ver-lhe e saber as novidades. Quaresma aproveitou pra perguntar se ele havia lido seu memorial. O Marechal disse que sim, e ele começou a argumentar mas, o Marechal despedindo-se disse-lhe: - Você, Quaresma, é um visionário... e partiu.

CAPITULO 03 – ... E TOMARAM LOGO SILENCIOSOS
Ismênia estava cada vez pior, e a loucura que lhe atingiu a mente agora enfraquecia também o corpo o general já havia tentado de tudo médicos, rezadores, benzedeiras e nada parecia dar jeito. Dona Maricota já não sabia mais o que fazer. E quaresma tentou dar-lhes esperança e foi falar com o esposo de sua afilhada, o Dr. Armando. Após falar-lhe foi ao quartel onde tentava conseguir uma autorização para visitar seu sítio e rever sua irmã e Anastácio, rostos tão familiares que agora lhe faziam muita falta, mas, ao chegar lá recebeu a notícia que foi designado para uma missão, e por isso não poderia obter a licença e deveria mudar os seus estudos de artilharia para infantaria. Mesmo não tendo dado muito crédito quando o major lhe solicitou o Dr. Armando foi ver Ismênia e começou a tratar-lhe, e ela apresentou uma certa melhora, já sentava-se na cama e conversava. Um dia disse a sua mãe que queria morrer vestida de noiva. Disse tão convicta que a mãe apenas concordou. Um dia sua mãe precisou se ausentar, e ela ficou com as irmãs. Ismênia observou pela porta aberta do guarda roupas o seu vestido. Ela o vestiu, colocou o véu e a coroa sentiu uma fraqueza e caiu de costas sobre a cama. Quando as irmãs a encontraram já estava morta.

CAPITULO 04 – O BOQUEIRÃO
Anastácio por mais que tentasse não conseguia sozinho tocar o sitio nem resistir ao ataque das saúvas que estavam mais fortes. Mas, em sua mania insistia em cultivar uma horta que protegia de todas as formas. A revolta trouxe uma certa paz ao Curuzu, unindo assim o Dr. Campos ao tenente Antonino. A mulher de Felizardo, Sinhá Chica, fazia companhia a D. Adelaide. Felizardo vivia a esconder-se com medo de um recrutamento e até dormia vestido. D. Adelaide sentia muita falta do irmão e já nem se importava com o sítio. Um dia recebeu uma carta do seu irmão que já estava desiludido com tudo aquilo, com a guerra, com a ferocidade dos homens, e se perguntava se aquilo era mesmo necessário, pediu perdão por ter matado, mas, não sabia a quem pedir. Ele também mencionou que havia sido ferido, mais sofria mais com o moral do que com o físico, quem havia se machucado mesmo era Ricardo. Findou-se a revolta da baía o que já era muito esperado. Após esse episódio o major passou muitos dias sem ver ninguém. Após o fim da revolta Quaresma foi nomeado carcereiro na ilha das enxadas onde seu descontentamento só crescia, após ver um grupo de marinheiros ser escolhido aleatoriamente e levado numa lancha pra escuridão ele percebeu do que estava participando.

CAPITULO 05 – A AFILHADA
Quaresma é preso em ilha das cobras e acredita ter sido por ter enviado uma carta ao presidente relatando a cena que havia presenciado. Mas, não compreende o porquê de estar preso, será que ele merece aquele triste fim?
Ao refletir sobre sua vida ele chega a uma triste conclusão, de que todos os seus anos de dedicação a pátria, de estudos seriam por ela retribuídos com a morte e que a pátria que ele tanto idealizava não existia realmente. E assim ia para cova sem deixar um filho, um amor, nenhum traço de sua existência. Enquanto ele pensava que nunca mais veria sua irmã, Anastácio, sua afilhada, Ricardo Coração dos Outros... este último que já sabia de sua prisão e que correra a todos os amigos do major inutilmente suplicando ajuda até encontrar Olga a única pessoa que se dispôs a lutar por Quaresma mesmo contrariando o marido. Ela foi ao palácio onde tentou falar ao marechal, mas, conseguiu apenas falar com um de seus secretários que não permitiu e rotulou Quaresma como um bandido e Traidor. Sem insistir ela saiu orgulhosamente acreditando que seria melhor deixar o padrinho morrer só e heroicamente do que humilha-lo com um pedido de clemência. Olhando a cidade pensou sobre as mudanças que se passaram nos últimos anos consola-se tendo a esperança que o tempo trará mudanças.